Ontem à noite, quando a chuva se intensificou no Rio, eu escrevi a minha carta para 2027. É evidente que me atrasei, afinal essas mensagens são elaboradas no impulso de pular sete ondas e na gritaria do “esse ano é meu!”, recheadas de espumantes e descuidos. Quando a Mega da Virada não é vencida e acordamos no primeiro dia com a ressaca e a roupa do dia anterior, descobrimos - mais uma vez - que a realidade sempre vence. Por isso, o ânimo para escrever a carta foi se perdendo a cada dia de janeiro, até eu quase desistir de fazê-la. Cumpri somente por tradição, para não começar o ano com o pé esquerdo - ou direito, se você for a Fernanda Torres.
O interessante é que redigir o texto nesse contexto trouxe perspectivas diferentes em relação às promessas de ano novo. Estou mais realista, idealizo menos o sucesso e sou mais flexível com o fracasso. Antes eu prometia o que não poderia cumprir nem em cinco anos, quem dirá em trezentos e sessenta e cinco dias. Por outro lado, estou incerto sobre o que acho dessa mudança. Suspeito que ainda seja cedo para sufocar minhas ilusões. Seriam os primeiros sinais de cinismo ou o florescer do amadurecimento?
Entrarei pouco a fundo nos meus fracassos, caro leitor, porque isso não interessa a vocês tanto nesse momento. Vale dizer somente que já bati minha cota deles no primeiro mês. Não que isso seja um problema, é claro - afinal, sou mais flexível com eles agora. O ano começa depois do Carnaval e será a partir de então que os sete pulos vão começar a valer. Continua chovendo no Rio de Janeiro e isso é a prova de que tudo é possível.
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